Escola estadual em Águas Belas ainda passa por reforma, há quase 5 anos
Instituição é tida como de referência e está aumentando o número de alunos.
Secretaria de Educação afirma que ainda está em andamento uma licitação.
Placa em frente à instituição de ensino indicava que obra duraria um ano. (Foto: Jael Soares/ G1 Caruaru)
Em outubro de 2013, o
G1 mostrou que está atrasada a reforma da Escola de Referência em Ensino Médio Coronel Nicolau Siqueira, em
Águas Belas,
no Agreste pernambucano. Atualmente os professores e os mais de 630
alunos da instituição ainda convivem com o descaso, desde 2009.
Pelo
VC no G1,
o estudante Sebastião Ferreira enviou dados sobre o trabalho, que
deveria ter terminado em 2010. Segundo ele, “quase tudo está pronto, mas
falta acabamento interno, janelas, energia nas salas e nos
laboratórios”. Já a aluna Januacele Vieira viajou e, quando voltou,
ficou decepcionada. “Eu passei aproximadamente seis meses fora,
estudando no Canadá. E, ao regressar, vi que estava tudo do mesmo jeito.
E ainda com uma quantidade de alunos maior e a escola sem o suporte
adequado para recebê-los”, afirmou.
Em outubro do ano passado, a Secretaria de Educação do estado informou que
um processo licitatório seria aberto em novembro para a continuação da obra, que prevê, no todo, a construção de 18 salas, uma quadra coberta e laboratórios. O
ABTV 2ª Edição
mostrou nesta terça-feira (11) que este processo ainda está aberto,
porém, a secretaria não informou um prazo para a conclusão dos serviços.
Entretanto, ainda de acordo com a pasta estadual, “as aulas aconteceram
normalmente ao longo do ano letivo de 2013, não tendo havido
interrupção no calendário por causa das obras de ampliação e reforma da
unidade” e “os 200 dias letivos [de 2014] serão cumpridos sem prejuízo
aos alunos”.
Enquanto esperam o fim dos contratempos, alunos são acomodados em salas
sem energia e com janelas sem vidro. E, segundo a gestora da
instituição, Dorivânia Machado, o estabelecimento está ficando pequeno.
“A quantidade de alunos vem aumentando paulatinamente. Então, nós não
temos mais como comportar nas salas antigas e aí estamos usando as salas
sem terminar. Mas, acreditando que venha realmente ocorrer o término da
reforma”, falou.
Engenheiro diz que empresa passou vários meses
sem receber verba. (Foto: Jael Soares/ G1 Caruaru)
Relembre o caso
A Construcife, empresa que era a construtora da obra, comunicou que os
problemas iniciais partiram do governo de Pernambuco, como a falta de
especificação sobre o uso de dinamite no solo do lugar. “E nós passamos
vários períodos sem receber. A gente tinha cerca de 50 pessoas
trabalhando na reforma e ampliação da escola, além da construção da
quadra, e ficou difícil de manter. Até hoje temos verbas a receber”,
disse em outubro o engenheiro Mário Gustavo, responsável pela empresa.
Também à época da primeira reportagem, a Secretaria de Educação afirmou
que já tinha efetuado os pagamentos pelos serviços previstos e não há
pendências com a empresa. Já na nota enviada ao ABTV, explicou que
“foram executados 61% da obra”, mas “foi rompido o contrato com a
empresa Construcife e aberto um processo administrativo contra ela”.
Uma professora conversou com o
G1 e pediu para não ser
identificada, por medo de represália. Segundo ela, “fica difícil. Não
temos estrutura de acordo com uma escola de referência”. Da estrutura de
quando a instituição oferecia ensino regular, em 2009, há apenas outras
nove salas de aula.
Laboratórios de Química e Física estão entre salas
da reforma. (Foto: Jael Soares/ G1 Caruaru)
O professor Leonardo de França – que acumulava as disciplinas de
Química, Direitos Humanos, Inglês e Espanhol – afirmou que “o rendimento
é parecido com o das demais escolas de referência, mas, por conta do
empenho dos alunos”. Enquanto espera a conclusão, ele diz ter solicitado
materiais de Química para improvisar um laboratório como proposto na
ementa disciplinar. A Secretaria Estadual de Educação também não se
manifestou sobre este pedido, em outubro.
Problemas apontados por alunos
Vários problemas apontados pelos alunos são básicos: cadeiras
desconfortáveis; muros baixos; e falta de refeitório. Eles se queixam
até da acessibilidade. “Uma colega nossa é cadeirante. Para entrar na
escola, um de nós tem que colocá-la nos braços e outro vem empurrando a
cadeira”, afirmou um aluno que não quis se identificar.
O governo de Pernambuco mantém 260 escolas de referência, sendo 122 de
tempo integral e 138 com jornada semi-integral, distribuídas em 160
municípios. Por meio do
site,
a Secretaria Estadual de Educação informava que o objetivo destas
instituições é “reestruturar o ensino médio pernambucano”, indo além da
“fronteira tradicional do conhecimento”. Em nova mensagem, visualizada
nesta terça-feira (11), a secretaria afirma que “até o fim de 2014,
serão 300 unidades em regime integral e semi-integral”.
Pavilhões não têm energia elétrica e só podem ser utilizados durante o dia. (Foto: Jael Soares/ G1 Caruaru)
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