Funcionários dos Correios de oito Estados decidiram cruzar os braços
nesta quinta-feira (12), após assembleias realizadas na noite de
quarta-feira (11) aprovarem greve por tempo indeterminado. De acordo com
o Sintect SP (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios e
Similares de São Paulo), os serviços devem ser interrompidos no Rio de
Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Tocantins, Rio Grande do Norte,
Rondônia, Pernambuco e Paraíba.
Já a empresa afirmou que vai adotar "uma série de ações preventivas
para garantir a prestação de serviços à população", o que inclui "a
realização de horas extras, mutirões para entrega nos fins de semana,
deslocamento de empregados entre as unidades e contratações
temporárias."
Relembre a greve de 2012
Em setembro de 2012, a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores
em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares) declarou greve.
A proposta inicial do sindicato era de 43,7% de reajuste salarial,
aumento linear de R$ 200, tíquete-alimentação de R$ 35 e a contratação
de 30 mil trabalhadores, entre outras reivindicações.
Alguns sindicatos chegaram a romper com a Fentect e negociaram
diretamente com a empresa. A paralisação durou seis dias, e foi
encerrada após o TST determinar o fim da greve.
De acordo com Edilson Pereira, diretor do Sintect SP, outros Estados
realizarão assembleias hoje e podem aderir à paralisação. Segundo ele,
ainda não foi marcada nova reunião entre os sindicatos e os Correios
para discutir as reivindicações --o último encontro foi dia 10.
A categoria quer a reposição da inflação, o reajuste do piso salarial
em 10%, aumento real de 6%, vale-alimentação de R$ 35 e vale cesta de R$
342, além de auxílio creche de R$ 500 e auxílio para dependentes de
cuidados especiais de no mínimo R$ 850.
Em nota, os Correios informam que foi oferecido um reajuste de 5,27%
sobre salários e benefícios. De acordo com a assessoria de imprensa da
entidade, atender às reivindicações sindicais custaria R$ 31,4 bilhões
para a empresa, o equivalente a "quase o dobro da previsão de receita
dos Correios para este ano ou o equivalente a 50 folhas mensais de
pagamento".
Até as 9h45 os Correios não tinham um balanço do total de agências e
centros de distribuição afetados pela greve. O Sintect SP estima que
"entre 45% e 50% dos funcionários aderiram à paralisação no primeiro dia
da greve" na região da capital, Grande São Paulo e Sorocaba.
Passeata na Paulista
O Sintect SP anunciou que vai realizar uma passeata para dar
visibilidade à greve, com concentração às 14h no vão livre do Masp
(Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista, região central da
capital.
A manifestação vai se dirigir até a agência central dos Correios, na praça Ramos de Azevedo, também no centro.